GANHO REAL, a melhor estratégia para a categoria bancária

A contribuição da CUT nos debates de remuneração dos trabalhadores

Congresso dos funcionários do BB aprova a estratégia de lutar por aumento real em todas as verbas, lutar pelo piso do Dieese e um novo plano de carreira.


O congresso dos bancários do Banco do Brasil fez novamente um excelente debate sobre vários temas recorrentes na categoria, que aparecem quando inicia a campanha nacional. Um dos temas debatidos e votados foi sobre a estratégia adequada para recompor o poder de compra dos salários após várias reestruturações do setor financeiro ocorridas desde os anos 90.

O tema que alguns colegas trazem como polêmica todos os anos é sobre repor perdas através de índices enormes de inflação acumulada desde certa data, normalmente desde o plano real. Esse tema mereceu uma reflexão muito boa no grupo de trabalho que debateu remuneração e depois foi para votação no plenário geral, que votou a estratégia de lutar por aumento do piso e novo plano de carreira, ao invés de índices astronômicos a serem reivindicados como reposição de “perdas”.

Mais uma vez, a categoria bancária mostrou que tem acompanhado as campanhas salariais e visto o resultado positivo da estratégia.

E tem sido assim. a categoria bancária, sábia como é, não tem votado nessa proposta equivocada e deslocada da realidade de propor índices "mágicos" de perdas como "solução" para a remuneração da categoria em que atuamos, os bancos.

As propostas de reivindicar "perdas" de inflação nas campanhas salariais dos bancários se perdem nas próprias propostas das correntes que as fazem. Vejamos como foi no congresso do BB:

-quando olhamos as tabelas das teses com os índices de reajustes nos bancários na última década, já percebemos algumas inconsistências como, por exemplo, "esquecer" que em 2004 houve reajuste acima do índice de 8,5% para salários até R$1500. Só no piso da categoria isso representou um aumento acima da inflação de cerca de 4 a 5,5% dependendo do índice utilizado (INPC ou ICV).

-ainda olhando os outros "esquecimentos" é importante recordar que na campanha de 2009, na mesa específica do BB, conseguimos mais 3% além do índice geral para o PCS. Ou seja, foram esquecidos ali no cálculo de "perdas" apresentadas no BB ganhos acima da inflação na casa de 7%.

-outro problema muito sério quando se discute remuneração em mesa de negociação é achar que o outro lado da mesa (banqueiros e governos) não está preparado para a discussão dos temas negociados.

Algumas vezes, o processo negocial estanca na mesa de negociação em impasses técnicos. A nossa representação é constituída de forma política por representação democrática de várias entidades do movimento e isso nos dá poder político. Também contamos com nossas assessorias cada dia mais preparadas como o Dieese e nosso corpo técnico próprio.

É verdade que vemos, às vezes, "lideranças" do movimento dos bancários que ainda acham que devemos "fechar a compensação" nas greves, como se a estrutura do sistema bancário fosse aquela de 15 anos atrás. Parece que não notaram ainda que todas as transações são eletrônicas e que no momento atual estão sendo extintas até as fichas de compensação e as transferências de conta e banco se dão no mesmo instante. Mas esses casos são exceção dentro das lideranças sindicais.



A companheirada que propõe reivindicar perdas está propondo o que especificamente? Um reajuste em todas as verbas remuneratórias de 40 ou 50%?

Estou entendendo que a proposta então propõe reajuste que abrange as comissões criadas nesse trimestre ou qualquer outro por algum diretor de alguma área do BB, certo? PORQUE QUEM FAZ ESSE TIPO DE PROPOSTA, OU NÃO SABE, OU ESQUECE QUE A ESTRUTURA REMUNERATÓRIA DO BB É UMA "COLCHA DE RETALHOS".

QUANDO A ARTICULAÇÃO SINDICAL propôs, no início dos anos 2000, a mudar a lógica de pedir "perdas" e buscar GANHOS E REAJUSTES EM TODAS AS VERBAS, como já era na mesa da Fenaban, já analisávamos que a estrutura de carreira dos bancos públicos estava adaptada "ao mercado", ou seja, à dos bancos privados de salário fixo e piso inicial baixo e carreira baseada em funções.

O BB congelou o piso e o PCS nos anos 90 e criou os VRs para "adaptar a remuneração das funções ao que o mercado pagava". O que vimos desde então foi não ter mais reajustes como tinha na categoria e quando tinha, era só no PCS e toda a estrutura comissionada ficava sem reajuste nenhum, pois era remunerado em Adicionais de Função e Valores de Referência. Em geral, acima do valor individual do PCS de cada um.

Aliás, o que ocorreu na época foi a gestão tucana do BB privilegiar alguns setores e diretorias e dar aumentos de 20 a 152% para alguns VRs de apadrinhados, enquanto todos os demais comissionados não tinham reajuste nenhum. Esse é um exemplo do que é hoje a folha de remuneração e cargos no banco. Cria-se e encerra-se cargos e funções a qualquer hora.

A ESTRATÉGIA DA ARTICULAÇÃO SINDICAL PARA REAJUSTAR OS SALÁRIOS DE TODOS OS BANCÁRIOS DO BB FOI REIVINDICAR O CUMPRIMENTO DA CONVENÇÃO COLETIVA DA CUT e FENABAN.

OS BANCÁRIOS VOTARAM EM NOSSA ESTRATÉGIA E O OBJETIVO FOI ALCANÇADO A PARTIR DE 2003 COM O CUMPRIMENTO DOS REAJUSTES E DEMAIS DIREITOS DA CCT. PASSOU-SE A CORRIGIR TODAS AS VERBAS, OU SEJA, PISO, PCS, ADICIONAIS DE FUNÇÃO, E VRs.

DE QUEBRA, COM A NOSSA ESTRATÉGIA DA CAMPANHA UNIFICADA, PASSAMOS A TER UMA CESTA DE DIREITOS DA CCT/CUT que ou não tínhamos ou era menor como, por exemplo, PLR, VA, VR, AUXÍLIO CRECHE etc.

NÃO CABE MAIS EM UMA ESTRUTURA DE REMUNERAÇÃO DOS BANCOS falar em "perdas" PORQUE O QUADRO DE CARREIRAS E REMUNERAÇÃO É MUTANTE!!



Socialismo ao contrário?

Também quero lembrar que desde que as direções do BB dos anos 90 para cá mudaram o quadro de carreira privilegiando comissões e não o salário inicial e o PCS, várias vezes algumas comissões de setores foram reajustadas ou recriadas de maneira a subirem mais de 100%. Pedir que se aplique reajuste de "perdas" na forma de índice para todas as verbas é fazer socialismo ao contrário.

Ademais, índices enormes de reajuste são propostas inócuas, pois nenhuma empresa vai sentar para negociar um aumento em sua folha de um índice que seja dezenas de vezes o índice de inflação do período da data-base, dobrando sua folha de pagamento.



A proposta CUTista da Articulação Sindical é:

1-aumentar o piso inicial: propomos o do Dieese

2-melhorar a amplitude entre o valor inicial do PCS e o final, pois hoje é de menos de 50%, em 12 níveis com 3% entre cada um. A maior perda dos bancários do BB foi o PCS!

3-melhorar o salário fixo em relação às comissões. Isto pode ser resolvido, incorporando ao salário do bancário, a cada 12 meses de trabalho 10% do VR exercido naquele período, de modo que se um dia o trabalhador não quiser ou puder exercer mais determinada função comissionada ele não volta ao salário seco do piso.

4-deve haver um limitador (%) que não permita que as comissões sejam maiores na remuneração total do que os salários fixos que as pessoas carregam consigo ao longo de sua vida laboral.

EM SÍNTESE: A CUT E A ARTICUALAÇÃO SINDICAL QUEREM MELHORAR OS SALÁRIOS INICIAL, DE CARREIRA E FIXO, EM RELAÇÃO À REMUNERAÇÃO TOTAL DOS BANCÁRIOS DO BB, BEM COMO UM PLANO DE CARREIRA QUE PRIVILEGIE TEMPO DE SERVIÇO E MÉRITO NAS FUNÇÕES, E ISTO NÃO SE RESOLVE COM PROPOSTAS INVIÁVEIS DE NEGOCIAÇÃO DE ÍNDICES "MÁGICOS" DE "PERDAS".

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