O bancário do BB tem que conhecer suas demandas.

Hoje participei de um debate importante sobre a relação de capital e trabalho no Banco do Brasil. A vida dos funcionários passa por uma série de inseguranças em várias áreas de análise. As expectativas destes bancários remetem, neste momento principalmente, a melhores condições de trabalho, uma jornada de trabalho de seis horas, um novo plano de cargos, carreira e salários e avanços nas conquistas neste último período. Há preocupação também quanto a eleição geral que define também quem irá nomear o próximo presidente do BB e sua direção, bem como a linha de atuação na sociedade.


Temos uma série de conquistas históricas que precisam ser conhecidas e subsidiar o debate sobre quanto ainda precisamos avançar. Antes é preciso entender as transformações que ocorreram no Banco e no funcionário do BB.

O perfil do trabalhor bancário do BB mostra que temos uma ampliação e renovação na dotação nacional alcançando hoje mais de 103 mil funcionários no país. A Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) dos últimos sete anos e os Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) aditivos a CCT garantem hoje diversos avanços econômicos e sociais. Várias modificações no mundo do trabalho flexibilizaram a atuação dos funcionários em relação a estratégia e missão da empresa. Isto transformou a empresa no maior banco de mercado da América Latina e no segundo maior agente de governo no sistema financeiro nacional. Centenas de milhares de cargos comissionados foram criados e redefiniu o bancário do BB, essencialemente agente público de fomento, em vendedor de produtos.

A resistência sindical do período anterior a 2003 teve significativa relação aos direitos destes trabalhadores que aqui tratamos e que também passaram por mudanças. A alterações na conjuntura econômica e política nacional, conduzidas pelo Governo do PSDB de Fernando Henrique Cardoso no último período, e as mudanças positivas promovidas no atual período pelo governo do PT de Lula, deram condições para que o funcionalismo se reorganizasse representativamente, negocialmente com mobilização, lutas e greves.

Economicamente reveretemos a lógica de reajuste específicos e de participação nos lucros e resultados (PLR) no Banco do Brasil.

Os reajustes anteriores eram norteados pela imposição inferior à inflação, com rebaixamentos e congelamentos (reajustes zero). Estes só incidiam sobre o salário base, sem reflexos sobre o grande contingente de colegas que hoje são comissionados. Hoje, com muita luta e organização, estamos garantindo reposições sobre os nossos salários, superiores a inflação e incidentes sobre todas as verbas, portanto, em um novo cenário e com novas reinvidicações.

A nossa PLR, antes mero programa de distribuição subjetiva de lucro para superintendentes, hoje é o melhor modelo da categoria bancária e desvinculado do cumprimento de metas. Inclusive avançamos diminuindo o modelo de distribuição próprio vinculado ao Acordo de Trabalho do BB.

Socialmente as mudanças também foram significativas, ainda que cheia de contradições. A empresa abandonou o processo de enxugamento de quadro de pessoal, bonito nome para demissão em massa. Adotou um processo de expansão por concurso público que elevou neste período o quadro de pessoal de 72 mil funcionários no início da década para 103 mil no fim desta.

Avançamos na isonomia, resgatamos direitos na Previ, extensão de direitos a homoafetivos, ouvidoria, licença maternidade de seis meses, entre tantos outros direitos resgatados e conquistados.

Mas precisamos entender isto para saber como encaminhar um plano de lutas vitorioso. Devemos preservar os elementos essenciais que trouxeram eficácia a nossa estratégia e aprimorar todo o processo sempre. Por isso mesmo não podemos assumir posições voluntaristas. As mudanças devem sempre nortear o aprofundamento de nossa capacidade de organização, mobilização, representação, negociação e contratação.

A grande conclusão que tenho para o momento é de que é essencial intervir no processo eleitoral, defendendo o atual projeto de Brasil dirigido por Lula. Isto leva a defender a eleição do PT-13 com Dilma  Rousseff presidente, por ser a candidatura que tem compromisso de manter o reconhecimento e negociação com os movimentos sociais. Particularmente, para os bancários do Banco do Brasil, significa derrotar o projeto de privatização de José Serra do PSDB.

Portanto, na minha opinião e de milhares de outros, devemos conduzir uma campanha nacional dos bancários rumo a manutenção de direitos e avanço em conquistas. E além disso vencer as eleições.

Vamos a luta!

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