Caixas são alvo de quadrilhas

Publicado em 9 de maio de 2011 

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Delegado Romério Moreira de Almeida, titular da Delegacia de Roubos e Furtos do Ceará, tem trocado informações com autoridades de outros Estados para a desarticulação das quadrilhas 
FOTO: JOSÉ LEOMAR
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Uma mochila deixada pelos criminosos dentro de uma agência bancária continha ferramentas de diversos tipos. Peças são usadas pelos ladrões para o arrombamento do caixa e retirada do dinheiro
FOTO: WILSON GOMES
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Os resultados dos ataques criminosos nem sempre são positivos para os ladrões. Em muitos casos, a Polícia constatou que eles tentaram violar os cofres mas não conseguiram 
FOTO: WILSON GOMES
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O ´chupa cabra´ é instalado nos caixas, possibilitando aos ladrões obter a trilha magnética dos cartões dos clientes 
FOTO: THIAGO GASPAR
Criminosos utilizam diversos equipamentos para violar os terminais e furtar o dinheiro. A Polícia já tem pistas
Duas mochilas carregadas com ferramentas como broca de metal, máquina para cortar aço, chaves de fenda, alicates de corte, lanterna, transformador bivolt, além de luvas e fitas isolante estão ajudando a Polícia na identificação de uma quadrilha especializada no arrombamento a caixas eletrônicos, que vem agindo nos últimos meses, em Fortaleza.

Apenas neste ano, a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) já registrou seis ataques dessa natureza aos terminais de autoatendimento, dos quais quatro não resultaram em furto de numerário. O último episódio ocorreu na manhã de sábado último, em um banco, na Avenida Dom Luiz, na Aldeota.

"Em dois deles, os bandidos conseguiram subtrair dinheiro da máquina", revela o delegado Romério Moreira de Almeida, titular da DRF. Um dos crimes a que o delegado se refere aconteceu em um caixa eletrônico localizado dentro de uma agência do banco Santander, na esquina da Avenida Senador Virgílio Távora com a Rua Ana Bilhar, também na Aldeota.

Máquinas
De manhã cedo, um cliente chegou àquela agência para realizar um saque e se deparou com dois homens manipulando uma das máquinas com um maçarico. "Disseram para o cliente que estavam fazendo a manutenção do equipamento. Este tem sido um procedimento comum entre as quadrilhas que praticam este tipo de delito. Eles interditam as máquinas como se fossem prestadores de serviço", revela Romério Almeida.

Quando a Polícia chegou ao local, o terminal realmente tinha sido arrombado e um valor em dinheiro subtraído. "Não nos foi informado o quanto os criminosos conseguiram furtar do caixa eletrônico", acrescenta o titular da DRF.

Em uma ação anterior contra outra agência do mesmo banco, bandidos tiveram que sair às pressas do local e acabaram deixando valiosas pistas para trás. "Possivelmente, um alarme disparou e os assustou. Fugiram, deixando no local duas mochilas grandes com uma farta quantidade de ferramentas usadas nos arrombamentos. Os objetos estão sendo analisados e podem nos levar à desarticulação do grupo criminoso", relatou o titular da especializada.

Conforme o depoimento de testemunhas, quatro homens num Fiat Pálio Weekend com placas de São Paulo, foram vistos deixando o local. "Temos alguns indicativos de quem são essas pessoas", afirma.

Segundo Romério, o caso ocorreu no dia 8 de abril, por volta das 5h50. Dentre o material apreendido, havia também um teclado numérico usado para decodificar alarmes e outras senhas, pilhas, baterias e equipamentos necessários para que os crimes fossem executados no escuro. "Temos observado uma maior incidência dessa prática criminosa durante as madrugadas, especialmente nos fins de semana", afirmou.

Demoram
Um detalhe curioso já descoberto pela Polícia Civil diz respeito ao tempo levado pelos bandidos para a prática dessa modalidade criminosa. Eles costumam passar aproximadamente de uma hora a uma hora e meia dentro da agência.

Uma das máquinas encontradas pela Polícia é usada para o corte de aço e pesa mais de 15 quilos. "Naturalmente, há alguém entre os bandidos que tem habilidade e técnica para manusear este tipo de ferramenta", destaca Romério Almeida. As mochilas, revela o delegado, "são uma espécie de disfarce para os bandidos, que costumam se passar por clientes".

Em menos de cinco meses, seis casos de arrombamentos em caixas eletrônicos da Capital foram contabilizados pela DRF. O delegado acredita que as ações não tenham sido obras de um mesmo bando. "Há mais de uma quadrilha, mas existe uma característica comum entre os grupos, eles migram. Não atacam somente no Ceará, agem em outros Estados, viajam para praticar os crimes em locais diferentes do País".

O titular da DRF investiga, atualmente, uma possível ligação entre arrombamentos que ocorreram no Ceará e no Maranhão. "Estamos trabalhando com base em informações que vêm sendo coletadas pela Coordenadoria Integrada de Inteligência (Coin), da Secretaria da Segurança Pública do Ceará, que vem trocando informações com as polícias de outros Estados brasileiros".

´Caixeiros´
Os bandidos que atuam nesse tipo de crime tem sido chamados pela Polícia de ´caixeiros´. Alguns fazem, ainda, a chamada ´pescaria eletrônica´ (arrombam o terminal de autoatendimento e acionam um dispositivo que faz a liberação das cédulas). O fato tem levado os bancos a adotarem medidas preventivas neste sentidos. "Algumas agências já modificaram os sistemas. Estão adotando novas tecnologias", destaca Romério. Há agências que já instalaram dispositivos que ´mancham´ o dinheiro com tinta quando ocorre arrombamento do caixa.

Registros
6
caixas de autoatendimento bancário foram arrombados em Fortaleza nos últimos meses. A mais recente ação dos ladrões ocorreu na manhã de sábado

DIVERSIFICAÇÃO
Ações criminosas se espalham por diversas cidades do País
A ação dos criminosos que arrombam caixas eletrônicos tem se espalhado pelo Brasil afora. As quadrilhas usam de diversos artifícios para poder se apoderar do dinheiro armazenado nos terminais. Quando não conseguem violar o equipamento através da abertura com maçaricos ou outras ferramentas, partem para ações mais violentas, como a explosão com dinamites ou outros artefatos.

Há também os casos em que os ladrões agem com a maior ousadia. Eles destroem a fachada das agências bancárias e usam correntes ou mesmo a força de braços humanos para retirar os terminais de dentro dos prédios e colocam na carroceria de caminhonetas. Fogem para local bem distante e ermo e, então, tratam de fazer o arrombamento dentro de seus esconderijos, como casas, depósitos abandonados, galpões alugados e até mesmo em matagais.

Quadrilhas
A Polícia cearense está interagindo com autoridades de outros Estados em busca de informações que possam levar à identificação mais rápida dos ladrões de caixas bancários.

Recentemente, uma quadrilha foi capturada no Paraná em plena ação criminosa. O fato aconteceu na madrugada do dia 29 de abril último em Curitiba.

Os bandidos invadiram uma agência da Caixa Econômica Federal no bairro Alto Maracanã, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. A Polícia Militar recebeu denúncias anônimas de que um grupo tentaria furtar uma agência em Colombo. Os homens saíram de Santa Catarina para o Paraná e utilizariam maçaricos em suas ações. Durante a invasão ao banco, eles colocaram fogo nos caixas eletrônicos da agência da CEF, com o auxílio de maçaricos. Mas não conseguiram arrombar os cofres. Nada foi levado. No entanto, a fumaça acionou o alarme de incêndio e, então, a PM foi comunicada da ocorrência.

Um dos suspeitos foi preso ainda dentro do banco. Os demais fugiram, invadindo uma residência próxima dali, mas todos acabaram presos.

Ceará
Neste ano, diversas agências bancárias no Interior cearense também foram alvo dos ladrões que costumam utilizar explosivos para abrir os caixas.

Em outras ações, os bandidos usaram armas de grosso calibre para estilhaçar as portas dos bancos, fazer reféns e, em seguida, arrombar os caixas.

Foi o que aconteceu, por exemplo, do dia 31 de março, quando uma quadrilha invadiu, pela manhã o Banco do Brasil da cidade de Independência (a 317Km de Fortaleza) e conseguiu arrombar três caixas.

Reprise
Horas depois, já à noite, outra ação violenta aconteceu no Interior cearense. Desta vez, o alvo dos marginais foi a agência do Banco do Brasil da cidade de Miraíma (a 205Km da Capital). Neste caso, os ladrões levaram um dos caixas, mas não conseguiram arrombá-lo.


CLONAGEM
Terminais também registram golpes
Além dos arrombamentos com o uso da força, os criminosos também violam os caixas eletrônicos dos bancos para praticar outra modalidade de delito. É a instalação de equipamentos que possibilitem a captação de senhas e trilhas magnéticas dos cartões dos clientes.

São equipamentos com denominação oficial de LCM, isto é, leitoras de cartões magnéticos, mas que, no jargão policial e da Imprensa, ficaram conhecidos como ´chupa cabra´.

Leitura
Na verdade, são leitoras modificadas eletronicamente que, ao invés de apenas ´ler´ a trilha magnética, gravam, possibilitando aos ´cartãozeiros´ agirem. Com a captação das trilhas dos cartões, o próximo passo é obter a senha e, para isto, os bandidos instalam microcâmeras nos terminais, que registram o momento em que o cliente utiliza o teclado numérico para a obtenção de saldo, transferência, depósito ou saque na máquina.

Redes
Diversas quadrilhas já foram desarticuladas no Ceará em operações montadas pelas polícias Civil e Federal com o apoio do Ministério Público. Nas operações ´Clone´ e ´Ciclone´, foram descobertas verdadeiras redes nacionais de ´cartãozeiros´ que atuam a partir de cidades do Interior cearense e chegam às capitais brasileiras.

O ´campo de ação´ dos estelionatários são exatamente os caixas bancários, onde os clientes estão expostos aos golpes.


FERNANDO RIBEIRO/NATHÁLIA LOBO
EDITOR DE POLÍCIA /SUBEDITORA

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